segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A GATA FLOCA

E aqui fica a história da Gata Floca para que possam voltar a ouvi-la.


Era uma vez uma gata chamada Floca. Mariana, uma jovem de dez anos, sua dona, dera-lhe este nome por ela ter, o pêlo tão branco e macio como um floco de neve. Os olhos, esses eram azuis, as orelhas arrebitadas e uma manchinha preta assinalava a ponta do nariz.
A Floca gostava de andar pelo jardim, de se empoleirar nos vasos – às vezes deitava-os abaixo e quase todos os dias era precisos ir endireitá-los.
Mas o que mais gostava mesmo era de comer certo tipo de flores e ervas, especialmente trevos.
Logo de manhã começava a miar. Era uma maneira de chamar a atenção da dona para poder entrar em casa. Dava voltas sem conta à casa, de rabo no ar, saltava para o peitoril da janela encostava-se à portam empurrava-a insistentemente, metia a pata pelas janelas entreabertas, à espera de uma fresta que lhe permitisse entrar em casa.
Quando a Mariana ou alguém da família aprecia à porta logo se punha aos saltos, fazia correrias pelo quintal, subia as árvores, empoleirava-se nelas para depois se encostar e rodopiar, à volta das pernas de quem lhe falava e lhe fazia festas. Muitas vezes em forma de agradecimento, lambia as mãos de quem a acarinhava.
Depois de entrar no corredor, corria em direcção ao melhor assento da casa, um fofo sofá de linho, instalado na cozinha, coberto por uma confortável manta de lã, onde toda a gente da família gostava de se recostar. Se o sofá estivesse ocupado, enrolava-se no tapete e depois com as unhas começava lentamente a puxar os fios, um por um…
- Olhem essa gata que dá cabo do tapete. Não posso vê-la cá dentro! -  dizia a mãe da Mariana, arreliada com tanta brincadeira e tanta descaramento de uma gata sem maneiras… Era logo posta fora da cozinha, mas miava tanto cá fora que, para não a ouvirem, a deixavam entrar de novo, por mais algum tempo, À espera que melhorasse o seu comportamento.
Pouco tempo depois de estar instalada bem refastelada, começava a corrida aos petiscos. Ração para gatos raramente comiam que a comessem os outros gatos seus irmãos de ninhada, a quem bufava quando podia. Rejeitava pão, massa, arroz, batata. Até os olhos se riam quando lhe davam peixe, carne, queijo ou legumes cozidos. Dava voltas e mais voltas à mesa e andava de nariz no ar, a sentir os agradáveis odores das boas comidas, que lá em casa todos sabiam fazer: o pai, a mãe e os filhos. Comia e miava por mais, lambendo completamente o prato.
Porem, não podia ficar sozinha na cozinha por muito tempo, pois iria haver tropelia.
Certo dia, sem ninguém dar conta, para não ser posta fora da cozinha, meteu-se debaixo de um armário. Mais tarde, com a pata abriu a porta e regalou-se: desfez em migalhas uma fogaça e caladinhos, guardados para o lanche do aniversário de Mariana. E sabem que a finória ficou quieta dentro do armário?! Só à noite, por ouvirem um estranho ruído é que deram pela marosca.
Quando a Mariana chegou a casa e viu tal estragação, fartou-se de ralhar com Floca e pô-la fora de casa.
- Vai já lá para fora de castigo, sua marota. Isto não se fazia! – Gritou Mariana, furiosa.
Parece que ate entendeu… Toda ela se enrolou, à porta da cozinha, o focinho e o rabo entre as pernas, como que a pedir desculpas de tanta estragação. E ali ficou imóvel, por uns tempos. Outros gatos se aproximaram, estranhando tanta acalmaria. Mas não era o que parecia. Logo começava a bufar a todos os que ali visse passar.
Não se ficou por aqui. Sabem que foi fazer? Podem imaginar…
Foi dar voltas ao quintal como era habitual. Algum tempo depois, voltou a miar fortemente. Mariana foi abrir a porta e ver o que se passava. E que viu ela? No tapete da porta da entrada, estava a gata Floca com uma flor na boca. Abeirou-se da menina e fez movimento de levantar as patas da frente. Mariana percebeu o que a gata pretendia, estendeu-lhe as mãos e ela largou a flor que trazia na boca, sobre o tapete. Era como se lhe tivesse oferecido a flor. A menina, encantada com a gata, agradeceu-lhe, pegou nela ao colo, passou-lhe a mão pelo pêlo carinhosamente, dizendo-lhe:
- Floca, Floquinha, minha cara bichaninha, que bom ter uma gata finória como tu!

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